A disciplina de Estatística Ambiental (EA) e Tecnologias de Informação Geográfica (TIG) reúne dois conjuntos de métodos e ferramentas de utilização generalizada em engenharia. A Engenharia do Ambiente, como acontece com qualquer ramo da engenharia deve munir-se de ferramentas de análise de dados e informação de forma a poder identificar e compreender, de forma robusta, os problemas a que se propõe a solucionar.

A descoberta, compreensão e simulação de soluções em Engenharia do Ambiente deve suportar-se numa monitorização robusta (técnicas de amostragem), e em métodos de análise de dados, quer clássicos (como regressão, análise em componentes principais, análise de variância ou análise de séries temporais), quer mais recentes, como os que integram a dimensão espacial do problema integrados nos Sistemas de Informação Geográfica.

- Como se deve monitorizar a qualidade do ar da cidade de Lisboa?

- Existirá uma relação entre a frequência de fogos florestais e a temperatura do ar?

- Como se identifica o melhor local para a localização de uma infra-estrutura num território?

Estas questões exigem em primeiro lugar informação recolhida com qualidade de modo a assegurar a representatividade do problema para o local (cidade ou País) a que respeita, e analisada de forma robusta e objectiva, de modo a suportar decisões (por vezes, envolvendo avultados investimentos).

A informação ambiental é espacial por natureza, devido à existência de agentes geográficos e ambientais que determinam a sua distribuição espacial. Alguns exemplos incluem o padrão de distribuição de um poluente sobre uma cidade, num estuário ou linha de costa, a distribuição de um contaminante num solo, o nível de ruído numa área circundante de um aeroporto, o padrão de distribuição de uma espécie protegida, ou a ocupação do solo. As engenharias, e em particular a Engenharia do Ambiente assentam, cada vez mais, na operacionalidade das TIG em áreas tão diversas como o planeamento e ordenamento do território, monitorização e visualização de variáveis ambientais, estudo da paisagem e ecologia, gestão de recursos hídricos, estudos de impacte ambiental e modelação ambiental. A literacia espacial e a explícita "dependência espacial" do mundo continua a crescer, e esta tendência deve ser explorada e desenvolvida cientificamente, socialmente e comercialmente. O uso da informação geográfica (IG) e das TIG associadas têm penetrado em todos os sectores da sociedade, sendo o seu uso cada vez mais ubíquo em todos os sectores da economia. Tem-se provado que o uso de abordagens e técnicas da CIG constituem um factor decisivo de competição nas empresas, de bem-estar social e de valor acrescentado na tomada de decisões.

No final da disciplina de EATIG, os alunos devem:

- ser capazes de identificar o melhor processo de amostragem para analisarem um determinado processo ambiental;

- identificarem as metodologias estatísticas mais apropriadas para recolherem e tratarem dados ambientais com o objectivo de identificarem problemas ou resolverem questões ambientais;

- perceberem a importância do controlo e garantia de qualidade dos dados como forma de assegurar resultados com confiança;
- estar familiarizados com os fundamentos da Ciência da Informação Geográfica ;
- estar treinados em abordagens de análise espacial em problemas de Engenharia do Ambiente (ter desenvolvido a sua literacia espacial e tecnológica);
- ser capazes de lidar com um SIG para resolver um problema prático de Engenharia do Ambiente;
- ser capazes de compreender o mercado das tecnologias da informação geográfica;
- acreditar na sua criatividade, e ter iniciativa individual, ambição e auto-confiança.