Um ano de desafios, José Lopes da Silva

(Última edição: domingo, 18 de setembro de 2005 às 15:31)
2005-09-18 - 00:00:00, Correio da Manhã

Opinião


Um ano de desafios

A Sociedade evolui e por isso a formação a ministrar não pode deixar de lado preocupações de cidadania, de conhecimento, de cultura, de desporto, enfim, da plenitude de uma intervenção cívica que bem alicerce a razão de ser do cidadão de pleno direito.

O início de cada ano lectivo é marcado pela expectativa que todos os que nele se vêm envolvidos colocam, quer sob o ponto de vista do ensino propriamente dito, quer sob o ponto de vista do conjunto das condições que asseguram a sua normalidade.

Este ano, àquelas expectativas acrescem as alterações consagradas na nova Lei de Bases, que acarretarão para o Ensino Superior o colocar de novas hipóteses de trabalho abrangendo a implementação de novas metodologias, novos curricula, novas atitudes face aos processos de ensino e de aprendizagem e, principalmente, as que decorrem do designado Processo de Bolonha.

Na realidade, o Processo de Bolonha traz consigo a exigência de uma maior participação dos professores na vida dos estudantes e, simultaneamente, exige dos estudantes uma nova atitude perante os professores e o ensino, pressupondo uma posição activa e permanente na assimilação dos conhecimentos, com consequente rejeição da passividade apenas alterada pela urgência requerida pela ameaça dos exames.

Daqui decorre também a importância de uma reflexão que tem de ser feita por todos, quer quanto à duração dos ciclos previstos no referido Processo de Bolonha, quer quanto à nova organização de mestrados e ainda ao combate ao insucesso escolar, à boa aceitação dos perfis académicos face às solicitações do mercado de trabalho e, naturalmente, à plena realização pessoal e profissional.

A este novo mundo de desafios deverá corresponder uma atitude positiva por parte da universidade, sabendo bem receber os que a procuram e a ela se acolhem, e que nela confiam, não esquecendo que o seu papel não pode resumir-se ao de mero transmissor de conhecimentos e esgotar a sua capacidade na apresentação de um saber adquirido e consolidado.

A sociedade evolui e por isso a formação a ministrar não pode deixar de lado preocupações de cidadania, de conhecimento, de cultura, de desporto, enfim, da plenitude de uma intervenção cívica que bem alicerce a razão de ser do cidadão de pleno direito.

Dir-se-á que é exigir muito e que, com tanta solicitação, o estudante tem pela frente uma tarefa intransponível.

Mas não pode ser essa a atitude. Há que confiar nas capacidades e nas vontades. E há, acima de tudo, que encontrar o método que permita conciliar os diferentes deveres para os canalizar para o resultado final pretendido: o sucesso. Os alunos não podem ser, hoje, meros espectadores: têm de ser interventivos, participantes e activos.

É com este espírito que temos de partir para o novo ano: a universidade é um local de trabalho em que todos têm de tomar parte, transmitindo saberes já adquiridos, construindo novos mundos de conhecimento, buscando o enriquecimento cultural e científico, com abertura de espírito às inovações dos processos, tendo por meta final o bem-estar da sociedade.
José Lopes da Silva, Presidente do Conselho dos Reitores das Universidades Portuguesas

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