José Sócrates confirma demissão do coordenador do Plano Tecnológico

(Última edición: viernes, 18 de noviembre de 2005, 08:03)
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17.11.2005 - 19h23   Lusa, PUBLICO.PT 

O primeiro-ministro, José Sócrates, confirmou hoje a demissão de José Tavares da coordenação do Plano Tecnológico, mas escusou-se a adiantar as razões que levaram à sua saída.

"O ministro da Economia comunicou-me que o coordenador do plano tecnológico apresentou hoje a demissão. Agora, o ministro vai nomear novo coordenador", declarou o primeiro-ministro.

Esta manhã, o Diário Económico noticiou que José Tavares, responsável da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico, apresentou a demissão por discordar com a forma como o processo tem sido conduzido pelo Governo. Segundo o diário, o coordenador, nomeado em Junho pelo ministro da Economia, mostrou-se descontente com a indefinição do Executivo quanto às medidas a incluir no plano, que deveria ter sido formalmente apresentado no final de Outubro.

Sem adiantar as razões que ditaram a demissão do coordenador, José Sócrates sublinhou que o "importante é que o plano tecnológico está em marcha há muito meses. Não esperámos por um documento" para avançar, afirmou o primeiro-ministro, lembrando a introdução do ensino de inglês no 1º ciclo, o programa de novas oportunidades ou os incentivos fiscais às empresas que apostem na inovação.

Ainda de acordo com o Diário Económico, José Tavares estaria também desagradado com a gestão do processo por parte do ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, que coordena algumas das principais medidas que fazem parte do plano, como é o caso da expansão da banda larga e a qualificação profissional.

Numa primeira reacção, o ministro da Presidência desmentiu qualquer conflito de competências no seio do Governo, garantindo que o Plano Tecnológico, que continuará sedeado no Ministério da Economia e Inovação.

Oposição lembra uma das principais bandeiras do Governo

O argumento não calou as críticas da oposição, que esta tarde exigiram no Parlamento explicações do ministro da Economia, Manuel Pinho, lembrando que o plano tecnológico foi uma das principais bandeiras do Governo.

Para Luís Marques Guedes, líder parlamentar do PSD, a demissão de José Tavares constitui "um rombo grande no relançamento da economia", que considera estar "completamente ausente" da política governativa.

Usando os mesmos argumentos, o CDS-PP apresentou um requerimento para ouvir, na Comissão de Economia e Finanças, José Tavares, bem como os dois ministros envolvidos no processo.

Já para o deputado comunista António Filipe "o plano tecnológico começa mal, porque nem sequer começa", sustentando que a política económica do Governo não faz menções a esse plano.

Por seu lado, o Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, acusou o Governo de se "atrapalhar a si próprio" neste domínio e desafiou o primeiro-ministro a assumir a coordenação desta pasta.

A direcção do grupo parlamentar do PS escusou-se a fazer qualquer comentário sobre este assunto.

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