A Internet em Portugal

A Internet é hoje um dado adquirido para qualquer cidadão português, sendo vista como uma das ferramentas da globalização, comércio, comunicação e liberdade de expressão. No entanto, a internet só se tornou realidade em Portugal nos anos 90. Como nasceu a Internet em Portugal? Que desafios se colocaram, no seu início, ao 'know-how' nacional? Quais os principais obstáculos enfrentados? Estas e outras perguntas serão respondidas, na primeira pessoa, pelo Prof. Dr. Legatheaux Martins, um dos responsáveis pela implantação da Internet em Portugal.

A Internet em Portugal

No final dos anos de 1980, as redes de dados existentes no mundo utilizavam canais de baixo débito e interligavam subconjuntos isolados de computadores através de tecnologias frequentemente proprietárias. Não existia nenhuma rede de comunicação global e universal como é hoje em dia a Internet.

 Nos EUA, as redes universitárias e de investigação começavam a ultrapassar esta dificuldade pois a Internet era já uma realidade nascente (e crescente). No entanto, na Europa, com exceção dos países mais desenvolvidos, a generalidade das universidades e das empresas também não tinham acesso à Internet. Mas, mais grave ainda, em muitos países europeus, muitas pessoas tinham "medo da Internet" por temerem o potencial domínio das telecomunicações europeias pelas empresas americanas que estariam por detrás dessa "rede sem rei nem roque".

 José Legatheaux Martins foi um dos principais defensores em Portugal, nessa altura, de que o caminho a seguir deveria ser a interligação das universidades e empresas portuguesas com a Internet. Propôs e coordenou o projeto que permitiu que em 1991, as universidades portuguesas, e nos anos seguintes as empresas, passassem a poder aceder à Internet e começassem a utilizar o sistema de protocolos TCP/IP para comunicar globalmente.  Foi o primeiro responsável pelo domínio de DNS de Portugal, desde a sua montagem em 1991 até 1994.

 De 1990 a 1995 foi também o principal animador de uma associação sem fins lucrativos, designada PUUG, que permitia o acesso à Internet às empresas e pessoas individuais que o desejassem. Para esse efeito coordenou a montagem da primeira rede TCP/IP portuguesa, fora das universidades, e já interligada com a Internet, que funcionou como um ISP informal para o mundo não universitário. Em 1996 foi fundador do ISP EUnet Portugal, que mais tarde foi adquirido pelo operador americano Qwest internacional e que acabou integrado na Optimus em 2004.

 O seu testemunho é interessante por ter vivido na primeira pessoa esses projetos. Mas para além disso, por também poder testemunhar sobre como as ideias novas, que põem em causa os “direitos adquiridos”, têm de enfrentar necessariamente as entidades oficias, quando estas se deixam aprisionar por interesses particulares.

Última alteração: terça, 8 março 2016, 13:38